quarta-feira, 16 de abril de 2014

Níveis baixos de açúcar no sangue aumentam agressividade nas relações


Em Washington



Níveis baixos de açúcar no sangue fazem com que, em um casamento, cada cônjuge sinta mais raiva do outro, e também aumentam o risco de agressividade, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira (14) nos Estados Unidos.
A pesquisa demonstra como o simples fato de ter fome, resultado de baixos níveis de glicose, pode ser um fator de tensão entre os casais, provocando discussões e até mesmo violência, explicou Brad Bushman, psicólogo da Universidade de Ohio e principal autor do trabalho publicado nas Atas da Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS) de 14 a 18 de abril.
O estudo foi feito durante 21 dias com 107 casais. Para medir a raiva, os cientistas deram a cada participante um bonequinho de vodu - que supostamente representava o cônjuge - e 51 alfinetes.
No fim do dia, cada um dos cônjuges deveria enfiar um certo número de alfinetes no boneco, segundo o grau de raiva que sentisse do companheiro. Ao mesmo tempo, cada cônjuge devia medir seu nível de glicose no sangue antes do café da manhã e antes de dormir.


Os resultados demonstraram que, quanto menor o nível de açúcar, maior era a quantidade de alfinetes cravados no boneco.
O vínculo entre glicemia e raiva persistiu mesmo entre casais que disseram estar satisfeitos com sua união.
Botão vermelho
Ao final dos 21 dias, pediu-se aos casais que se submetessem a um segundo teste: apertar um botão com toda força quando um ponto vermelho aparecesse na tela de um computador.
O vencedor de cada casal teve a oportunidade de submeter seu cônjuge, então, a um barulho forte e decidir sobre intensidade e duração da exposição.
Os resultados mostraram que aqueles que com grau de glicose mais baixo preferiam ruídos mais fortes e duradouros.
Um terceiro teste demonstrou que aqueles que enfiaram mais agulhas foram os que submeteram seus casais aos piores ruídos.
Combustível para o cérebro
Este fenômeno se explica pelo fato de a glicose ser o principal combustível do cérebro, e o autocontrole necessário para manter a raiva e os impulsos agressivos requer muita energia, segundo os autores.
"O cérebro representa 2% do nosso peso, mas consome 20% das calorias", afirmou Bushman, recomendando aos casais que, antes de uma discussão difícil, estão certos de que não têm fome.




Consumo de gordura pode agravar níveis de chumbo em crianças


As tintas à base de chumbo são a principal fonte de exposição de crianças ao metal, mas pesquisadores norte-americanos estão descobrindo que uma dieta rica em gordura pode agravar o problema. A intoxicação pelo chumbo (saturnismo) provoca distúrbios gastrenteríticos, no adulto e encefálicos, nas crianças. A encefalopatia é rara em adultos, porém grave em crianças. Em um novo estudo com crianças de baixa renda, que vivem em casas antigas, aquelas que consumiam mais calorias diárias, principalmente gorduras, tinham os níveis mais altos de chumbo no sangue.

De acordo com a coordenadora e pesquisadora da Universidade de Maryland, em Baltimore, Lisa Gallicchio, “a remoção da tinta com chumbo das casas em bairros urbanos e antigos deve ser a principal forma de reduzir a exposição infantil ao chumbo, mas as crianças de apenas um ano, sob risco de intoxicação, devem limitar o consumo de calorias, gordura total e saturada”, explicou.

Durante o estudo, a equipe de Gallicchio mediu os níveis sanguíneos de chumbo em 205 crianças, com um ano de idade e analisou também a poeira existente nas casas e a dieta das crianças. A pesquisa mostrou que, independente da exposição infantil ao chumbo em casa, o consumo de todos os tipos de gordura estava diretamente relacionado aos níveis de chumbo no sangue. Além disso, as crianças com o maior consumo calórico – de todas as fontes, tinham as taxas de chumbo mais elevadas.


A pesquisadora afirmou que existem diversas explicações possíveis para os resultados do estudo. Ela ressaltou que “as crianças que consomem mais calorias podem estar ingerindo mais chumbo pelos alimentos contaminados, seja por chumbo no ar ou na embalagem”. Para Gallicchio, as crianças que comem mais também podem estar ingerindo mais “alimentos manuseados”, com risco maior de contaminação. Outra possibilidade é que a própria gordura possa elevar a absorção de chumbo no corpo. Embora o estudo seja muito importante, Gallicchio acredita que ainda são necessárias mais pesquisas para verificar se as alterações na dieta podem ajudar a controlar os níveis sanguíneos.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Mulheres que consomem refrigerantes dietéticos apresentam risco cardiovascular

Um estudo apresentado no congresso do American College of Cardiology, em Washington, nos Estados Unidos,  na semana passada conduzido pelo Dr. Ankur Vyas , da Universidade de Iowa verificou que as mulheres na pós-menopausa que consumiram dois ou mais refrigerantes dietéticos por dia tinham 30 por cento mais probabilidade de sofrer um evento cardiovascular e 50 por cento mais probabilidades de morrer de doença cardiovascular relacionada, em relação às mulheres que nunca, ou raramente, consumiram bebidas dietéticas .



A análise de 59.614 participantes do Women's Health Initiative Observational Study, que tinham uma média de idade de 62,8  anos e sem história de doença cardiovascular, verificou que depois de um período médio de acompanhamento de 8,7 anos, um desfecho cardiovascular primário ocorreu em 8,5 por cento das mulheres que ingeriam dois ou mais refrigerantes dietéticos por dia, em comparação com 6,9 por cento no grupo que ingeria de cinco a sete bebidas dietéticas por semana; de 6,8 por cento no grupo que ingeria de uma a quatro bebidas por semana; e de 7,2 por cento no grupo que ingeria de zero a três bebidas por mês.
A diferença persistiu quando os pesquisadores ajustaram os dados para outros fatores de risco cardiovascular e comorbidades .
Segundo o Dr. Vyas, a associação entre bebidas dietéticas e doenças cardiovasculares ainda deve ser mais estudada para definir se esta relação realmente existe.  

Fonte: American College of Cardiology, ACC 2014, Washington, DC.